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Missão Solidária São Tomé e Príncipe – A incrível história do pequeno Daniel

Escrito em 20 de Set. de 2019


No seguimento do nosso artigo Que o nosso olhar do mundo seja vosso! vimos relatar uma das muitas histórias que temos para vos contar!

O nosso olhar do mundo, em conjunto com a Maxivisão resolveram levar a cabo um projecto solidário, que tinha como objectivo a entrega de 32 óculos graduados a pessoas carenciadas por toda a ilha de São Tomé.

A história de vida que hoje vos queremos contar é a do menino Manuel da Silva, que frequenta a escola de Neves pertencente ao Projecto de Desenvolvimento Integrado de Lembá, da responsabilidade das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição.

Neves pertence ao distrito de Lembá, uma localidade que fica a cerca de trinta quilómetros a norte da cidade de São Tomé, mas para chegarmos lá demoramos mais de uma hora com uns acessos péssimos, o que culmina com mais isolamento das populações…

Esta instituição tinha sido contactada através da Irmã Lúcia pela nossa “aliada” no terreno, a Fátima Rodrigues, e a missão era levar as crianças, sinalizadas pela Irmã, ao Hospital Dr. Ayres de Menezes, o único hospital da ilha situado na cidade de São Tomé.

No dia 13 de Junho, entre as cerca de cem pessoas, estava também Manuel da Silva, nome registado, mas que em sua casa é tratado por Daniel, o que para nós é bastante estranho mas ficámos a perceber que por São Tomé é bastante comum meterem assim “novos” nomes nas pessoas, não conseguimos perceber porquê…

A mãe do pequeno Daniel, a Edna é vendedora de peixe e tem dois filhos. O pai, quando nasceu o mais novo, saiu do país e nunca mais voltou, ficando esta a tratar dos dois filhos sozinha. Por aqui, é uma prática comum, os maridos fazem os filhos, mas depois como ainda não existem leis que punam estes atos, tudo se torna normal e grande parte abandona os filhos e a mulher, e vão embora. O sonho é Portugal, mas o mais acessível é Angola, e é para lá que estão a ir centenas à procura de um futuro melhor.

Nesse dia pela manhã o pequeno Daniel não apareceu. A sua mãe, por causa do trabalho não conseguiu levá-lo à hora combinada. Mas a Edna sabendo do real problema do seu filho, não desistiu, e quando se conseguiu despachar do trabalho, tratou de alugar um táxi partilhado, muito comum por aqui, e lá foi com ele para a capital.

O pequeno Daniel com seis anos, poderia vir a ser mais um menino, no meio de centenas que ficaria sem consulta e consequentemente sem óculos, mas a responsabilidade da mãe, fez com que se calhar até sem saber, tivesse mudado a vida do seu filho para sempre…

Chegados ao hospital, foi feita a consulta onde se detectou uma carência grande, sem nunca ter usado óculos.

A confusão gerada com a chegada tardia, o Manuel da Silva, apelidado de Daniel em casa, posou para a fotografia com a sua receita mas com o nome de Óscar Quaresma!!

Esta história tinha tudo para correr mal, mas o mais importante era a criança e a sua graduação e isso estava lá. Nós por cá sem sabermos fizémos os óculos. Fomos a Neves no sábado e combinamos com a Irmã Lúcia, voltarmos na segunda para fazer uma visita à escola que iria iniciar nesse mesmo dia.

O dia era carregado de simbolismo para o Daniel, era o seu primeiro dia de aulas.

Chegados a Neves, deparamos-nos com uma excelente escola, cuidada por todos os membros daquela comunidade e que alberga cerca de mil crianças. Não é caso raro por aqui, mas o trabalho que as Irmãs fizeram em vinte anos aqui, é de louvar.

Os carpinteiros aqui formados, mantém as salas limpas e cuidadas como se pode ver.

Chegada a hora da entrega dos óculos, estavam à nossa espera seis pessoas, e uma delas era o Óscar Quaresma. Quando chegou a altura de lhe entregar os óculos, rapidamente percebemos, apesar da insistência dele a dizer que estava a ver, que algo não estava bem. Mais uma vez e com a preciosa ajuda da Fátima Rodrigues, revimos as fotos que levámos agregadas com as receitas e ficámos a perceber que não era esta a criança! Logo tratamos de tentar encontrar a criança certa, que não se chamava Óscar!

Um do contínuos da escola, através da fotografia, conseguiu chegar ao nome do menino, era o Daniel, o seu vizinho! Como era o seu primeiro dia de aulas, ainda ninguém o conhecia bem, naturalmente, então, disseram-nos que talvez já tivesse saído.

A solução era ir à sua procura, e lá fomos nós! Pegámos no contínuo da escola, e fomos a casa do Daniel! Quando chegámos ninguém estava em casa, mas disseram-nos que a mãe não estaria longe. O rapaz prontamente foi à sua procura e passados cinco minutos, a Edna chegava com o seu filho mais novo na cintura. Contou-nos a história da ida à consulta e disse-nos que o menino ainda estava na escola. Entrámos no jipe e fomos todos novamente até à escola. Chegados lá, a Edna encaminhou-nos à sala onde tinha deixado o seu filho de manhã! Lá estava o Manuel da Silva, numa sala com cerca de trinta crianças, numa mesa ao fundo da sala, calado, tímido, natural de uma pessoa que está limitada na sua visão. Ao entrar na sala, dirigi-mo-nos a ele. Era um misto de sensações aquelas que nos atravessavam a cabeça, mas o foco era entregar os óculos e ver com os nossos próprios que ele iria ficar a ver bem!

Pedimos para meter os óculos, mas o pequeno Daniel, bastante tímido nem respondeu. Tratamos logo de lhe os meter e assim que os recebeu e olhou para a frente, logo percebeu que afinal tudo era diferente…

Aí as emoções vêem à flor da pele, ficamos em pele em galinha, mas tínhamos de seguir fortes na explicação, ajuste e método de funcionamento. O menino bastante tímido e um pouco espantado com o que estava a ver à sua volta, não conseguia dizer uma palavra.

Sabia que quando se levantasse, iria notar diferenças no chão. A escola acabava as 17h, eram cerca de 16h45, e o pequeno Daniel era o centro das atenções na sala de aula.

Lá se levantou, até agora tudo bem, saímos para o recreio, e ele aí notou diferenças a olhar para o chão. Explicamos à mãe que era natural nos primeiros dias, para ele insistir um pouco por casa e na sala de aula. Tudo era diferente para ele, olhava em seu redor e via tudo muito mais nítido, mas por outro lado, os seus olhos adaptados à realidade anterior, estavam a estranhar as lentes novas. Este processo é natural e acontece regularmente, mas no caso do Daniel como nunca tinha usado, sentiu-se mais confuso… mas pelo contacto que mantivemos com a mãe, soubemos que passados cinco dias conseguiu adaptar-se. 🙂

Esta é só uma das incríveis histórias que temos para contar. Apesar de todas as emoções, o nosso objetivo foi alcançado, que foi o de conseguir mudar a forma de olhar de alguém.

Neste momento temos a certeza, que nesta fase crucial da aprendizagem da vida do pequeno Daniel podemos também mudar-lhe a vida e isso deixa-nos muito orgulhosos e felizes naturalmente.

Os contactos estão feitos, queremos continuar a ajudar estas crianças a poderem ter um futuro melhor. Podemos dizer-vos que existem três oculistas em São Tomé que estão concentrados na capital, e a maior parte das pessoas não tem a mínima hipótese de comprar uns óculos lá.

Juntos poderemos fazer ainda mais!



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